Quando a morte nos bate à porta … e não estamos “em casa”!!
Apesar de escrever sobre coisas alegres e que vou conhecendo neste novo país onde estou a viver, também acho importante partilhar alguns sentimentos que infelizmente nós que estamos longe dos nossos familiares passamos, quando a morte bate à porta e não estamos no nosso país!!
Este foi o meu caso há uns dias atrás, que tive a infelicidade de receber a notícia que o meu avô tinha falecido.
Num país distante, as dúvidas vinham à minha cabeça, ir ou não ir a Portugal para um último adeus ao meu avô, que apesar de ter 95 anos e todos já estarmos à espera, não deixou de me apanhar desprevenida.
As minhas preocupações prendiam-se com coisas óbvias, o trabalho, as viagens, o dinheiro e se chegaria a tempo…
Felizmente tenho um trabalho que me possibilita ter alguma liberdade nesse sentido, por isso falei com a minha chefe que me deu todo o apoio.
Quanto às viagens foi um bocadinho mais complicado, pois viajar em low cost só mesmo com muitos meses de antecedência, coisa que neste caso era para esquecer, e não havia voos low cost para esse mesmo dia nem para o seguinte (o dia do funeral), por isso tive que me virar para a TAP. Apesar de ter voos para o dia seguinte e a horas bastante convenientes, o preço era bastante alto ( mas mais baixo que as low cost).
Por isso havia que ponderar se valia a pena “gastar” aquela quantidade de dinheiro para ir a um sítio onde já não havia nada a fazer, pois com ou sem a minha presença o meu avô já não voltaria… Mas que se lixe o dinheiro, onde o iria gastar?? em pagar contas?? por isso decidi investir essa quantidade na viagem.
Mas tenho de confessar que fiquei feita num trapo, porque para chegar a tempo e estar presente em toda a cerimónia foram 19h sem dormir, sem comer nada de jeito e ainda por cima falar com tanta gente! O que nos torna em zombies e sem paciência para nada, ainda por cima num ambiente de tristeza tremendo.
Apesar de ter conseguido, não consigo condenar aqueles que por várias razões não conseguem. Só tenho é a lamentar que não haja um serviço mais eficaz para estes casos, porque infelizmente as viagens são caríssimas e não há contemplações de lado nenhum. Com uma taxa de emigração enorme que se está a verificar no nosso país, estes casos devem ser recorrentes e infelizmente deve ser um empedimento para alguns não conseguirem dar o último adeus a um ente querido.
Quando se toma uma decisão destas nem sempre sabemos o que está do outro lado, e no meu caso não senti que foi só um adeus ao meu avô, mas mostrar o respeito que se tem por uma pessoa, dar o apoio à família e dizer não importa o que acontecer estarei sempre cá. Apesar de nem sempre ser fácil !!
Lamento muito a morte do teu avô… Mas é bom que tenhas podido ir e ficar em paz contigo…
Beijinho
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Não é só o poder ir, porque não podendo podemos fazer por isso! Mas é só a dificuldade que se passa nestas situações, que nem sempre se consegue por não haver medidas que contemplem estas situações. Por exemplo devia haver um limite de valor em viagens de última hora e em casos especiais que fossem justificados !!
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