República Checa – Praga e Olomouc

Viajar é para mim mais do que ir ali e ver monumentos, museus e comida… é um open mind, uma sensação de conhecimentos e negação daquilo que nos é imposto … 

Esta viagem à República Checa, fez-me ter uma vontade que recusava há muito de conhecer mais o continente Europeu… Aquela ideia que só os países “ricos” são interessantes é algo que neste momento tenho desfeito na minha cabeça e com muita vontade de conhecer mais o leste europeu.

Praga é uma cidade enorme e é igualmente dividida pelo rio Vlatava. Nenhuma das duas margens é mais importante que a outra, pois de um lado encontra-se uma cidade cheia de cultura, vida e monumentos e da outra o imponente Palácio de Praga, que para lá chegar temos de atravessar a majestosa Ponte Charles. Tinha lido num site que para apreciar a verdadeira beleza da Ponte a deveríamos atravessar pela manhã bem cedinho, enquanto a azafama turística não chegasse, mas infelizmente não conseguimos. Apesar de ser Inverno e a cidade estar relativamente vazia de turistas, a ponte estava cheia e nem para tirar uma foto era possível e por isso, decidimos lá voltar à noite e valeu bem a pena, todas aquelas luzes e uma ponte só para nós …

Praga é dividida por zonas, de Praga01 a Praga 22, uma confusão danada que nem me atrevo a explicar e podem ver mais aqui. Mas basicamente o centro da cidade é entre Praga01 e Praga02, o castelo em Praga06, mas nós estávamos instalados em Praga08 que fica entre a 03 e a 07 …. entenda quem quiser…

Falando da nossa viagem

Ao chegar ao aeroporto comprámos o bilhete de 72h para os transportes públicos por 15€ cada (310Kc) e um mapa por 2€ (aqui aceitam mais euros do que coroas). A conversão do dinheiro não é fácil e depende dos mercados, por isso uma máquina de calcular à mão dá sempre jeito para as contas mais complicadas. Apesar da rapariga ter dito que era para todos os transportes não é bem verdade, pois não pode ser usado na Airport Express (AE).. Mas como não sabíamos e o gps dizia que tínhamos de apanhar aquele bus, lá entrámos e pagámos 60Kc (+- 2,5€) por bilhete, apesar de eu ter mandado vir com o condutor (eu em inglês e ele em checo!!!). A viagem foi +- uns 45 min, mas direitinho para onde queríamos ir (Hlavni Nadrazi) que tem ligação de metro e comboio. No caminho deu para ter uma sensação que estaríamos em Portugal, tanto pela construção dos edifícios, como pelo estado das estradas (nada boa). No entanto, ao descobrir a cidade deparámo-nos com um sistema de transportes público riquíssimo e que nos pareceu muito bem organizado, pois era constante a passagem de tram, eléctricos, bus, comboios e metro por onde andássemos. Usámos os bilhetes que comprámos o resto da viagem, sem gastar nem mais um cêntimo para andar dentro da cidade. No entanto o sistema de transportes é muito parecido ao de Berlim, onde as entradas são “livres” e só temos de picar o bilhete.

Como disse, Praga é uma cidade enorme talvez a compare mais a Lisboa do que a Amesterdão ou Berlim, tanto pelas suas ruas, arquitectura e aquela luz dourada de fim de dia que tivéssemos a sorte de presenciar no último dia de viagem … magnífica!!!!

No entanto, tal como Lisboa, basta sair um pouco mais do centro para ver a verdadeira cidade das pessoas reais. As estradas, passeios e alguns edifícios estão em avançado estado de degradação. É habitual ver muitos mendigos e pessoas alcoolizadas na rua, que nos parecem marginais, mas que no fundo não passam de inofensivo cidadãos sem sorte, como alguém os descreveu “espécimes inofensivos” que fazem parte da cidade!

É fácil ver que as pessoas ainda estão a habituar-se aos novos tempos e a uma suposta Europa moderna. Se por um lado a arquitectura que impera é em blocos gigantes de um regime comunista, os novos edifícios que surgem são do mais avant garde que se imagina. Na mesma rua há edifícios lindíssimos, restaurados e outros a cair aos bocados, apesar de serem habitados. A maior destes contrastes foi junto ao museu militar, onde nos deparámos com duas casas exactamente iguais, mas uma restaurada toda pintada de branco e outra completamente destruída, lado a lado como se de um espelho se tratasse. As ruas são um misto de tradicional e de centros comerciais onde impera o luxo, o bom gosto e onde a decoração é pensada ao pormenor, mas onde tudo é relativamente barato.

A nossa primeira refeição num restaurante foi cerca de 400 Kc (+-16,5€), para duas pessoas incluindo bebida… já mais no centro pagámos 700 Kc (+-30€), por entrada, bebida, prato e sobremesa para dois. Apesar de continuar a ser barato aos olhos de alguém que vive em Amesterdão, acredito que seja +- os preços praticados em qualquer vila em Portugal. Por isso, a economia checa deve ser muito parecida com a portuguesa, apesar do salário mínimo ser menor, rodando os 350€ mensais.

Conhecer mais que Praga

Temos a sorte te ter amigos espalhados por toda a Europa e por isso fomos até Olomouc visitar uma querida amiga. Comprámos um bilhete aberto de comboio para toda a República Checa, ida e volta durante todo o fim de semana  para duas pessoas (e 3 crianças) por 650Kc (+- 27,5€). Deixámos as crianças e fomos só os dois …

Durante a viagem deu para ver que é um país meio abandonado, sem agricultura nem pecuária, mas com zonas de natureza fabulosas.

Olomouc fica a 250 km de Praga (+- 2h15 min) é a sexta maior cidade da Rep. Checa e a segunda mais visitada deste país, pois conserva ainda muita da sua história e é situada numa zona perto das montanhas, onde muitos aproveitam para praticar desportos de inverno (ski, snowboard, etc).

Aí fomos almoçar a um dos restaurantes mais tradicionais da cidade um belo joelho de porco (delicioso) e uma truta super fresca do rio mais próximo. Para 3 pessoas pagámos cerca de 500 Kc (+-21 €), incluindo bebidas, pão e prato principal. Aqui pagámos com dinheiro e em vales, que se compram com desconto de 60% e podem ser usados em qualquer lado, como restaurantes, super mercados ou até na farmácia (dizem que é algo muito típico de países comunistas). Algo bastante curioso e que nunca tinha visto é que é habitual os restaurantes ficarem dentro de edifícios, onde temos várias portas, corredores ou escadas para chegar até eles. Parece que estamos a entrar na casa de alguém!

A visita à cidade é rápida, mas devo dizer que é muito bem conservada, bonita, histórica e com alguma vida pelo testemunho da nossa anfitriã devido à comunidade universitária.  Segundo alguns, Olomouc tem o relógio astronómico mais bonito da Rep. Checa, apesar de pessoalmente ter gostado mais do de Praga, mas o Ricardo gostou mais do de Olomouc.

Voltando a Praga

Como nós não gostamos de roteiros turísticos, não aconselhamos nenhum a não ser comprem um mapa e aventurem-se sem medo, pois Praga é uma cidade enorme, com muitos edifícios, monumentos que podemos entrar por poucas coroas e sempre tivemos agradáveis surpresas.

Mas há alguns sítios que podemos recomendar, como o castelo, a ponte Charles, a Old Town Square onde podem ver o Relógio de Praga, que foi o 3º relógio astronómico medieval a ser construído e o mais antigo ainda em funcionamento. Nós passamos por lá a 1ª vez e nem reparámos e tivemos de ir de propósito para o ver e vale muito a pena. Entretanto nesta praça nada acontece ao sábado e só segunda-feira é que havia uma feira com souvenirs, comidas e bebidas e não deixámos de comer as famosas batatas fritas em espiral, muito boas apesar do sal excessivo, nem o Trdelník que é um pão doce que me fez lembrar o sabor dos folares, mas feito em rolos e parece ser assados na brasa …

Nesta zona mais comercial, nota-se que há um certo aproveitamento dos turistas e pelo facto de haver uma conversão mental para saber o valor das coisas, como por exemplo pelos mesmos 300 Kc vermos conversões a dizer 10, 13 ou 15€ …

Não fizemos grande roteiros gastronómicos, porque o Ricardo não come carne, mas posso dizer que tivemos a melhor refeição vegetariana dos últimos tempos nesta maravilhosa cidade. Quanto à cerveja é boa e barata, mas prefiro a holandesa/belga, apesar de termos apreciado duas litradas de Pilsner por 84 Kc (+- 3,5€), num dos bares na zona rica da cidade junto ao rio!!

Aproveitem para apreciar o verdadeiro Cristal da Bohemia, que é magnifico! Fiquei com muita pena de não ter trazido uma peça, mas fica para a próxima, porque viajar de mochila às costas tem as suas limitações apesar de ser bem mais simples e prático.

Não tenham medo e apanhem os eléctricos até ao final da linha e descubram mais do que o centro da cidade. Esta foi a melhor decisão de final de dia, para limpar os ouvidos do balbúcio turístico da cidade. Praga é rodeado por uma natureza de extrema beleza e vale bem a pena passar uma horinha fora.

Quanto à língua checa, só conseguimos aprender a dizer obrigado e é algo do género Děkuji (Lê-se: dejecuie), de resto posso só dizer que me parecia um chinês a falar russo… Já o inglês até é bem falado na cidade, mas fora dela é complicado e olham para nós com ar de pânico à espera de serem socorridos.

Quanto ao Hotel Abeda, só tenho coisas boas:

– Barato: 3 noites por 80€, incluindo pequeno almoço (muito bom).
– Limpeza: 100%,
– Zona Praga08: Fora e dentro da cidade, num bairro residencial e perto de duas linhas de metro vermelha e amarela. Junto ao túnel que dá para o monumento mais alto da cidade. Magnífico!!!
– Staff: Super simpático e inglês impecável!

Grande viagem, com muitas coisas por ver, mas mais uma razão para lá voltarmos, pois foi grande falha não termos ido ao museu Frank Kafka… que foi a casa original dele e pela cidade vemos muitas obras, ou explorar mais e ver os efeitos da segunda guerra mundial na cidade…

Aproveitem e se tiverem experiências boas ou más em Praga, não deixem de partilhar connosco…
Ficam algumas fotos que tirámos durante a nossa estadia!

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4 Comments Add yours

  1. Devem ir, porque merece muito a pena!!

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  2. Cristina says:

    Adorei o relato! 😀

    Liked by 1 person

  3. Também tens de começar a fazer os teus!!

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